Idade hormonal

As mudanças que ocorrem no corpo com o passar do tempo estão diretamente relacionadas ao funcionamento dos hormônios.

O envelhecimento é um processo de declínio das funções siológicas, que se inicia aos 30 anos. Cansaço, redução de força e tônus muscular, aumento de gordura, diminuição da libido e perda da memória são sinais de que algo não vai bem, principalmente quanto à produção de hormônios. Segundo Eduardo Nasser, espe- cialista em Endocrinologia e Meta- bologia do Hospital Madre Teresa, as duas alterações clínicas mais impor- tantes do envelhecimento envolvem o pâncreas, (produção de insulina), e a glândula tireoide (controle do metabolismo energético).

Aproximadamente 40% dos indivíduos entre 65 e 75 anos e 50% dos acima de 80 apresentam alteração no metabolismo da glico- se, desenvolvendo pré-diabetes ou diabetes mellitus. Já a disfunção da tireoide acomete de 5% a 10% das mulheres acima de 60 anos. ?A principal causa é a autoimunidade, que pode inibir ou estimular a glândula?, explica. Há, ainda, três outros sistemas hormonais que apresentam redução da concentração de hormônios circulantes no envelhecimento normal (hormônios sexuais, das adrenais e do crescimento).

Ao longo dos anos foram desenvolvidas estratégias de reposição hormonal. Porém, vários aspectos perma- necem controversos. Restaurar níveis hormonais como de pacientes entre 30 e 50 anos não foi provado como bené co ou seguro. O Conselho Federal de Medicina proibiu, em 2012, hormônios para retardar ou prevenir o envelhecimento. Já o uso de hormônio para manter determinado nível de bem-estar é uma saída recorrente. A alteração mais dramática que ocorre nas mulheres em torno dos 50 anos é a menopausa, precedida pelo climatério. As mudanças levam a ondas de calor (foga- chos), ressecamento vaginal, perda da libido, redução da massa óssea (risco de osteoporose) e anormalidades da função cardiovascular, sobretudo risco de infarto do miocárdio.

?O tratamento de reposição hormonal na meno- pausa (THM) passou por profundas mudanças?, avalia o médico. Na década de 1960, a estrogenioterapia era prescrita para todas as mulheres que entravam na menopausa. Com complicações principalmente no endomé- trio, passou-se a tomar mais cautela. Mas foi a partir do início dos anos 2000, com a publicação de dois grandes estudos que avaliaram milhares de mulheres na menopausa, que se estabeleceram critérios como idade, tempo de menopausa, sintomas, doenças associadas, doses e vias de administração.

A THM hoje é feita de forma personalizada. ?A segurança depende da boa indicação, monitoramento e individualização. Mulheres assintomáticas e acima dos 60 anos não devem iniciar o tratamento. Os be- nefícios são máximos se iniciada na perimenopausa. Mulheres de 50 a 59 anos ou com menos de 10 anos de menopausa são o grupo-alvo, no qual os benefícios superam os riscos?, a rma. A reposição, normalmente, baseia-se no uso de progesterona para melhorar o sono e o equilíbrio emocional. Já o estradiol e o estriol são indicados para secura vaginal, osteoporose, ondas de calor e melhora da condição cardíaca. Pode-se ainda utilizar ocitocina (spray nasal utilizado minutos antes da relação sexual) para favorecer o orgasmo.


Degrau a degrau.

Os homens também reduzem a produ- ção hormonal, sobretudo a testosterona, com decréscimo, a partir dos 40 anos, de 1% a 1,5%. Utiliza-se o termo Distúrbio Androgênico Associado ao Envelhecimento Masculino (DAEM) para de nir essa condição, sendo popularmente chamada de andropausa. O diagnóstico do DAEM deve obri- gatoriamente basear-se em critérios labo- ratoriais (baixos níveis de testosterona) e clínicos (presença de sinais e sintomas, sendo os mais comuns a redução da libido ou atividade sexual e a disfunção erétil).

Estudos já demonstraram que baixos níveis de testosterona estão associados ao aumento do risco de condições como diabetes mellitus tipo 2, doenças cardio- vasculares e osteoporose.?


Individualização.

Especializada em oferecer soluções in- dividualizadas para os pacientes, a farmácia magistral pode desenvolver alternativas para o equilíbrio hormonal de acordo com a necessidade do paciente. O farmacêutico Natan Levy, coautor do livro Terapia de Modulação Hormonal Bioidêntica, explica que, além de preparar formulações com hormônios, as farmácias podem oferecer suplementos que auxiliam na transformação pela qual essas substân- cias passarão no organismo. ?No homem, não basta repor a testosterona, pois, com a idade, o corpo tende a transformá-la em estrogênio por meio da enzima aromatase. Portanto, é importante também utilizar os inibidores dessa enzima, como anastrozol, crisina ou os toterápicos Saw palmetto e Pygeum africanum?, explica.

Natan lembra que o risco da reposição de testosterona para câncer de próstata é controverso e, no caso da mulher, já há comprovação da relação de alguns hormônios com o câncer de mama e de útero. Para mitigar esse efeito, a rma, o médico pode receitar tanto o indol 3 carbinol ou o licopeno como preventivos. Essas substâncias evitam que os estrógenos se transformem em 16-alfa-hidroxiestrona e 4-hidroxiestrona (que estão ligados aos casos de câncer), protegendo o organismo.

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